CONSTIPAÇÃO INTESTINAL (Prisão de ventre)

A Constipação Intestinal atinge 10 a 27% da população, e cerca de 80% dos casos são mulheres, na sua maioria em idade produtiva. Em 1985 nos EUA estimou-se que em torno de 42.000 dias de trabalho são perdidos anualmente pelos pacientes constipados.
É definida como dificuldade para ir ao banheiro (esforço grande para conseguir expulsar as fezes) e/ou pela freqüência baixa de evacuações (menos de 3 vezes por semana).Também é conhecida como obstipação intestinal, intestino preso ou prisão de ventre.
Os motivos que levam a esta maior incidência no sexo feminino não estão bem claros. Porém algumas teorias tentam atribuir este fato a particularidades anatômicas (pelve feminina), hormonais, psicológicos (traumas de infância) e socio-culturais (proibição do uso de banheiros fora de casa). Outra população de risco são os idosos e os pacientes acamados, devido à diminuição da atividade física

SINTOMAS

O sintoma mais comum é a baixa frequência com que a paciente vai ao banheiro. É considerada normal uma frequência evacuatória entre 3 vezes por semana até 3 vezes ao dia. Os pacientes que tem frequência abaixo desta, costumam relatar um desconforto abdominal com sensação de "barriga estufada", com ou sem cólica. Alguns pacientes, no entanto, têm problemas mesmo indo ao banheiro diariamente. Apresentam uma dificuldade muito grande em obter a eliminação das fezes com esforço evacuatório aumentado, dor à evacuação, sensação de evacuação incompleta, tendo que ir ao banheiro várias vezes no mesmo dia (às vezes na mesma manhã) para conseguir uma evacuação satisfatória. Outras vezes existe a associação dos dois quadros, a baixa frequência evacuatória e a dificuldade em obter a eliminação satisfatória das fezes.

DIAGNÓSTICO

O paciente com quadro prisão de ventre deve procurar avaliação médica para eliminar causas tratáveis como distúrbios hormonais (hipotireoidismo, hiperparatireoidismo, hipercalcemis, etc.) ou outras doenças adquiridas ou congênitas (doença de Chagas, doença de Hirschsprung, esclerose sistêmica, tumores, etc.). Afastadas estas causas, o paciente deve se submeter a tratamento clínico com suplementação de fibras na dieta, ingestão de líquidos e aumento da atividade física.
Se essa abordagem inicial não surtir efeito satisfatório, o paciente deve ser submetido à avaliação funcional, ou seja, um conjunto de exames especializados que avalia o funcionamento e a coordenação das estruturas anatômicas envolvidas na evacuação. Na maioria das vezes estes testes envolvem algum incômodo para o paciente, mas são, na sua grande maioria, são indolores. São eles: Eletromanometria Anorretal, Cinedefecografia (ou Videodefecografia, ou Defecografia) ou Defecorressonância e Tempo de Trânsito Cólico. Cabe salientar que nem todos pacientes farão todos estes exames, por vezes apenas um deles é suficiente para instituir tratamento apropriado.

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TRATAMENTO

TRATAMENTO CLÍNICO

Existem vários medicamentos para o tratamento da constipação intestinal, uns muito antigos e outros mais recentes. Eles são utilizados como coadjuvantes no processo de correção da constipação e devem ser sempre indicados por médicos devido aos possíveis efeitos colaterais em longo prazo (principalmente os laxantes de contato).

BIOFEEDBACK

Biofeedback é um tratamento indolor, que pode corrigir uma causa muito comum de prisão de ventre: a incoordenação motora no ato da evacuação. Esta incoordenação motora é responsável por 60% dos casos de constipação nas mulheres. A técnica é uma espécie de "fisioterapia" onde o paciente aprende a forma correta de usar a musculatura do abdome e do períneo para evacuar, atingindo alta taxa de sucesso na literatura médica.

TRATAMENTO CIRÚRGICO

Nos casos de moléstias adquiridas como doença de Chagas e malformações congênitas como doença de Hirschsprung, o tratamento cirúrgico é a melhor opção.

Os outros casos são, na sua imensa maioria, de tratamento clínico e medicamentoso. A opção pela cirurgia nestes outros casos deve ser avaliada com muita atenção, pois resultados desanimadores acontecem com freqüência se a seleção do paciente e do tipo de cirurgia não for feita com muito critério. Estas cirurgias visam corrigir problemas como: Retocele, Enterocele, Prolapso retal interno, Prolapso de órgãos pélvicos, Inércia Cólica, etc.

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